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O que fica da maior Copa do Mundo da história?
Publicado em 20/07/2026 09:56 • Atualizado 20/07/2026 09:58
Notícia

Fotos: William Volcov/Parceiro/Agência O Dia

Na Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, o futebol teve dificuldades para se impor. Decisões controversas da Fifa, excesso de entretenimento e uma final em que apenas uma equipe pareceu competir em alto nível: a Espanha, que venceu com mérito esta Copa do mundo inchada com um total de 104 partidas. Assim, pela primeira vez, as seleções masculina e feminina de um mesmo país são campeãs mundiais ao mesmo tempo.

 

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, classificou o torneio como "o maior evento humano, social e cultural já vivido pela humanidade". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também elogiou a competição, chamando-a de "o evento mais bem-sucedido de todos os tempos".

Mas será que foi realmente o "melhor evento da história da humanidade"? Eis aqui o que deve ficar na memória dos torcedores.

Como o público encarou a maior Copa da história?

Os temores de estádios vazios, especialmente nos Estados Unidos, onde o futebol não é o esporte mais popular, não se confirmaram. Antes mesmo das quartas de final, mais de 6,25 milhões de torcedores já haviam passado pelos estádios dos três países-sede, um recorde para a competição.

O recordo não surpreende, já que foi a primeira vez que a Copa teve 104 partidas, em vez das 64 disputadas nas edições anteriores. A média de público ficou em torno de 65 mil espectadores por jogo, com ocupação de 99,7% dos assentos disponíveis, de acordo com a Fifa. Apesar disso, em algumas partidas da fase de grupos foi possível observar setores com cadeiras vazias.

Pausas para hidratação geram críticas

Entre as novidades do torneio estiveram as pausas para hidratação, que foram alvo de críticas por parte dos torcedores. A maioria dos técnicos, porém, aprovou as interrupções ou, pelo menos, não se queixou delas.

Uma exceção foi o uruguaio Marcelo Bielsa. O então treinador afirmou que a mudança alterava a essência do jogo.

"Disputar quatro tempos em vez de dois modifica a ideia culturalmente construída que se tem do futebol", afirmou. "Essas pausas não acrescentam nada ao jogo e tiram muita coisa dele."

As surpresas da Copa

A grande sensação do torneio foi Cabo Verde. Em sua estreia em Copas do Mundo, o país africano arrancou um empate sem gols da campeã Espanha e só foi eliminado na segunda fase, após perder para a então campeã Argentina na prorrogação.

A República Democrática do Congo empatou com Portugal de Cristiano Ronaldo. O Paraguai eliminou a Alemanha na segunda fase. Já Curaçao, o menor participante da competição, fez história ao marcar seu primeiro gol em Copas justamente contra os alemães e conquistar também seu primeiro ponto no torneio ao empatar com o Equador.

Vexames do Brasil e da Alemanha

A Copa do Mundo de 2026 terminou de forma melancólica para a Seleção Brasileira. Após uma campanha irregular, o Brasil foi eliminado nas oitavas de final ao ser derrotado por 2 a 1 pela Noruega, encerrando precocemente o sonho do hexacampeonato. A derrota marcou a pior campanha da equipe desde o Mundial de 1990, mantendo ainda um tabu de fracassos contra adversários europeus em confrontos eliminatórios desde a conquista do pentacampeonato, em 2002.

A Alemanha também viveu um Mundial decepcionante em 2026. Apesar de liderar seu grupo e chamar atenção ao aplicar uma goleada por 7 a 1 sobre Curaçao na fase inicial, a equipe alemã foi surpreendida pelo Paraguai na primeira fase do mata-mata. Após empate por 1 a 1, os tetracampeões mundiais foram derrotados por 4 a 3 nos pênaltis, encerrando pela terceira vez consecutiva sua participação de maneira precoce desde o título de 2014.

Preços altos dentro e fora dos estádios

A Copa foi um evento caro para os torcedores. Ingressos, hospedagem, estacionamento e passagens aéreas pesaram no bolso.

Os preços praticados dentro dos estádios provocaram críticas adicionais. Nos Estados Unidos, um copo de cerveja chegou a custar até US$ 20 (cerca de R$ 102), uma porção de batatas fritas, mais de US$ 15 (aproximadamente R$ 75) e uma garrafa de água perto de US$ 7 (R$ 35).

Também no México os preços ficaram muito acima do habitual. No estádio Azteca, palco da abertura do torneio, uma cerveja custava o equivalente a cerca de US$ 15 (R$ 76), quase o valor do salário mínimo diário legal do país.

Os ingressos também estiveram entre os principais alvos de críticas. Na venda oficial ao público, os preços variaram de US$ 140 (R$ 715) a US$ 2.735 (R$ 14.000) para partidas da fase de grupos, valores muito superiores aos registrados na Copa do Mundo de 2022, no Catar.

Às vésperas da decisão houve forte oscilação nos preços. No site oficial de revenda da Fifa, ingressos para a final que vinham sendo anunciados por dezenas de milhares de dólares chegaram a ser vendidos por US$ 2.334,50 (R$ 12.000) poucas horas antes da partida. Na manhã do jogo, porém, a Fifa ainda oferecia entradas pelo valor de tabela de US$ 10.990 (R$ 56.000).

A disparidade entre os preços oficiais e os valores praticados na revenda alimentou críticas sobre a política comercial da Fifa e o custo crescente de acompanhar a Copa do Mundo presencialmente.

Qual foi o papel de Donald Trump?

Antes do torneio, havia receio de que Donald Trump transformasse a Copa numa plataforma para sua agenda política. O presidente dos EUA havia apresentado o evento diversas vezes como um de seus projetos de prestígio.

Durante a competição, porém, manteve perfil relativamente discreto e apareceu no estádio apenas na final. Mesmo assim, esteve no centro do maior escândalo do torneio.

Após a expulsão do atacante americano Folarin Balogun, Trump teria intercedido junto ao presidente da Fifa para que a suspensão fosse revista. O jogador acabou liberado para atuar nas oitavas de final contra a Bélgica, mas os Estados Unidos foram eliminados após derrota por 4 a 1.

"O atual presidente da FIFA se submeteu a Donald Trump", afirmou o ex-presidente da entidade Joseph Blatter.

Como foi a segurança na Copa?

A guerra no Oriente Médio e episódios de violência no México alimentaram preocupações antes da Copa. Nos Estados Unidos e no Canadá, a maioria dos jogos ocorreu sem maiores problemas.

No México, porém, ocorreram diversos incidentes. Torcedores invadiram uma fan fest já lotada em Guadalajara. Após uma vitória da seleção mexicana, um carro avançou contra uma multidão que comemorava nas ruas. Além disso, várias pessoas morreram durante celebrações na Cidade do México.

Outro caso controverso envolveu o árbitro somali Omar Artan, que teve sua entrada nos Estados Unidos negada apesar de possuir visto válido. As autoridades alegaram preocupações de segurança relacionadas a supostos vínculos com uma organização terrorista na Somália. Mesmo impedido de participar do torneio, ele teria pelo menos recebido integralmente a remuneração prevista pela Fifa.

Críticas sobre direitos humanos

Muitas organizações de defesa dos direitos humanos fizeram uma avaliação extremamente negativa da Fifa. "Esta Copa do Mundo ocorreu tendo como pano de fundo a política repressiva do governo dos Estados Unidos contra os imigrantes", afirmou, por exemplo, Minky Worden, da Human Rights Watch. Segundo ela, a Fifa falhou em exigir que o governo norte-americano respeitasse os próprios padrões de direitos humanos da entidade.

Por isso, não se poderia falar da suposta "Copa mais inclusiva da história". "A Fifa prometeu que todos poderiam se sentir seguros. A realidade é outra. O ICE, por exemplo, dobrou o número de prisões", declarou Daniel Noroña, da seção norte-americana da Anistia Internacional.

Ronan Evain, da associação de torcedores Football Supporters Europe, também criticou a falta de transparência na concessão de vistos para torcedores, especialmente os vindos de países fora da Europa. "Nossas observações revelaram pouca ou nenhuma evidência de que portadores de ingressos da África e da Ásia tenham efetivamente obtido vistos para entrar nos Estados Unidos", afirmou Evain.

E agora?

Para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, uma nova ampliação da Copa do Mundo, de 48 para 64 seleções, é concebível. Nesse caso, o número de partidas passaria das atuais 104 para 128. "Esse é, sem dúvida, um tema que será analisado após esta Copa do Mundo e discutido nos órgãos competentes", disse o suíço à emissora Blue Sport.

Apesar das fortes críticas dirigidas a Infantino, sua posição à frente da Fifa não parece ameaçada. Pelo contrário: mais jogos significam mais receitas, que podem ser distribuídas às federações nacionais filiadas. No próximo ano, a expectativa é que Infantino seja reconduzido ao cargo pela terceira vez.

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Autor: Thomas Klein

Fonte :- O que fica da maior Copa do Mundo da história?

 
 
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